A Coragem de Decidir: Por Que Você Nunca Deve Terceirizar Suas Escolhas
Deixar nas mãos de outras pessoas aquilo que nós mesmos precisamos fazer é um risco alto demais. Claro, nada impede que você consulte alguém com mais experiência, procure uma mentoria ou converse com quem já trilhou o caminho que você deseja seguir. Ouvir é fundamental. Mas, no fim do dia, a decisão final tem que ser sua.
Se você não decide sobre algo na sua vida, alguém já decidiu por você. Seja no relacionamento, no emprego ou no caminho a seguir.
A ilusão do conforto ao terceirizar escolhas
Na nossa infância, é natural que nossos pais decidam tudo. Cresci morando com a minha mãe e, durante muito tempo, foi ela quem definiu o que eu fazia, a religião que eu frequentava, as roupas que eu vestia e os sapatos que eu calçava. Éramos crianças e precisávamos dessa condução.
Mas chega um ponto em que a autonomia começa a gritar dentro de nós. Na adolescência, eu já não gostava mais das roupas que me eram dadas, não queria ir a todos os lugares e comecei a questionar as coisas ao meu redor. Comecei a definir: isso eu quero, isso eu não quero; isso eu aceito, isso eu não permito.
É exatamente nesse ponto que a vida começa a ficar desafiadora. Quando você toma as rédeas, não há mais em quem se apoiar para colocar a culpa. Você não pode mais dizer: “Ah, foi minha mãe quem escolheu esse caminho, a culpa não é minha”. Assumir o protagonismo significa que você vai errar. E está tudo bem. A maioria dos erros permite que a rota seja corrigida, e errar é uma parte necessária do processo de amadurecimento.
Carreira e o limite entre o conselho e a imposição
No campo profissional, a minha primeira grande decisão foi, de certa forma, induzida. Aos 17 anos, eu nem sabia o que era concurso público. Minha mãe, que valorizava a estabilidade, me indicou o caminho. Ela pagou a minha inscrição para um concurso de prefeitura porque o dinheiro só dava para um de nós. Fui aprovado, convocado aos 19 anos, e assim começou a minha trajetória.
Foi ali que ela agiu como minha primeira grande mentora. Ela me mostrou a direção, e, para mim, o caminho do concurso público fez todo o sentido e transformou a minha vida — inclusive me trazendo hoje para Brasília.
No entanto, para outras pessoas, esse mesmo caminho pode não fazer sentido nenhum. Conheço profissionais formados em Direito que tinham tudo para fazer concurso, mas decidiram empreender e tiveram muito sucesso, simplesmente porque não se viam trabalhando na área pública. Cada pessoa tem o seu rumo. Ouça os conselhos, mas decida com base no que ressoa com os seus objetivos.
Relacionamentos e a liberdade de ser quem somos
Outro pilar onde não se pode terceirizar decisões é nos relacionamentos. Escolhi a minha esposa e fiz uma ótima escolha. E não falo isso com hipocrisia ou para criar uma imagem irreal de “casal perfeito” para a internet. Nós temos pensamentos muito parecidos, nos damos incrivelmente bem e vivemos em paz, sem brigas. Ela foi a minha escolha e eu fui a escolha dela.
Houve pressões externas? Sim. Minha mãe chegou a querer que eu me casasse com alguém da igreja que ela frequenta. Sou imensamente grato à igreja em que cresci — grande parte do meu caráter e dos meus valores como ser humano foram moldados lá e com o exemplo da minha mãe. Mas eu sabia que aquele já não era mais o meu espaço.
Se eu tivesse cedido para agradar os outros, teria me casado com alguém com uma visão de mundo diferente da minha. Hoje, tenho um casamento onde a liberdade reina. E não falo de liberdade no sentido deturpado da palavra, mas sim a liberdade de ser quem você é, pensar como pensa e falar sem medo de censura.
A coragem de mudar de vida
Recentemente, tomei uma decisão que contrariou muita gente: deixar o Pará e vir para Brasília. No Pará, eu tinha casa própria, parentes próximos e um custo de vida bem menor. Quando decidi vir para cá — sabendo que moraria de aluguel e perderia poder financeiro inicial —, até a minha mãe achou que eu estava cometendo uma loucura.
Muitas vezes, as pessoas criticam as nossas decisões não por maldade, mas porque nos amam e têm medo do risco que estamos correndo. Mas eu precisava tomar essa decisão pela minha família. O acesso a um excelente plano de saúde, que é muito bem aceito em Brasília, e a melhoria na qualidade de vida da minha esposa eram prioridades inegociáveis.
Sabia que poderia dar errado? Sabia. Mas os frutos positivos dessa coragem superaram qualquer expectativa. Estamos em paz, felizes e colhendo os resultados de uma escolha pensada e assumida integralmente por nós.
📚 Colabore com o nosso trabalho
Acesse o link da Amazon, escolha produtos que interesaam a você e colabore com nosso trabalho.
Conferir na AmazonAbrace as suas escolhas
Não deixe de tomar as decisões da sua vida. Decida o que vestir, a carreira que vai seguir, com quem vai casar e onde vai morar. Abrace a sua decisão e não permita que ninguém a tire da sua cabeça — a menos, claro, que uma reflexão madura mostre que mudar de ideia é o melhor caminho.
As consequências positivas ou negativas serão exclusivamente suas. Se só você vai lidar com o peso do resultado, que pelo menos ele seja fruto da sua própria coragem.
Agora me conte nos comentários: Você já deixou de tomar alguma decisão porque foi influenciado por terceiros? Ou este texto te ajudou a refletir e finalmente tomar aquela atitude que estava adiando? Deixe sua história aqui embaixo!
